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domingo, julho 27, 2003

A ÚLTIMA MIJA: Sinto-me pessimista. De vez em quando acontece-me, é como aquelas pessoas que do nada têm enxaquecas fortíssimas que quase as matam. Mas, mesmo assim, apesar da minha azia espirtual/romantica/vivencial/filosofica/artistica, gostava de acabar com uma palavra de optimismo, uma vez que o meu optimismo crónico faz parte da minha identidade e não poderá ser de mim extirpado seja porque tragédias for (sintaxe sinuosa….pois…). Assim, volto a defender todos os princípios do meu manifesto optimista que poderão (engraçado o meu delírio ainda pensando nos leitores virtuais) encontrar nos arquivos. E termino, embora sem muito entusiasmo, mas sabendo que ele há de chegar, com desejos de felicidade e blá blá para todos os que por aqui passaram e para todos os que não o fizeram, e com um inevitável: ENA ENA VIVA VIVA WOW! Godspeed!

Ps) Ena ena ena, existem cinco biliões de pessoas e se todas fizessem blogs não existiram sequer dois blogs iguais. Viva isso, viva tudo...
PORQUE VOU DEIXAR DE O FAZER: Porque estou farto, porque sou demasiado individualista, porque não consegui o que queria do blog, porque consegui o que queria do blog, porque não tive feedback, porque não tenho nada para dizer, porque tenho tudo para dizer, porque se calhar é melhor um diário privado, porque se calhar é melhor estar calado, porque não tenho feitio para isso, porque não tenho tempo, porque tenho tempo a mais, porque sou demasiado optimista, porque não sou demasiado optimista.
Porque gosto da malta que escreve blogs: são mais cultos que a média, têm mais humor que a média, lêm mais que a média e têm melhor gosto do que a média; aceitam a critica, são geralmente correctos, são interessados, vão a sítios, fazem coisas, contam histórias e querem registrar a corrente do mundo.
Porque detesto a malta que escreve blogs: acham que são mais cultos que a média, que têm mais humor que a média, que lêm mais que a média e que têm melhor gosto que a média; porque a blogosfera é uma demonstração pública e obscena de palmadinhas nas costas e exibição fálica coberta às vezes com pseudo-humildade, porque são todos tão amiguinhos e lêm-se todos uns aos outros, e falam disso ao jantar e ao almoço e todos os amigos esposas primos chefes colegas têm blogs, porque são arrogantes e pouco humildes, porque estão longe da sapiência e da vida, porque fingem que sim que não e que talvez, porque dizem não dizendo, porque citam demais, porque eu também fiz tudo isso e também sou culpado de tudo isso.
Porque me estou a cagar, porque não tenho público, porque concordo com o meu amigo César Monteiro quando dizia “Que se foda o público”. Amén.
Porque não me apetece.
Porque não….
PORQUE FIZ UM BLOG: Porque me apeteceu, porque nunca tinha feito nenhum, porque parecia um “clubinho giro”, porque quis ver se era capaz de escrever um diário público e não falhar um dia que fosse, porque estava na moda, porque não estava na moda para as pessoas que estão na moda, porque queria participar na tertúlia gigante da blogosfera, porque queria feedback e mais feedback e ter algo minimamente parecido com “correio de leitores”, porque sou narcísico, porque sou modesto, porque escrevo, para poder ter mais um assunto ao jantar, para ocupar minutos intermináveis de ócio, para poder protestar, para poder elogiar, para mandar recados, para fazer pedidos, para experimentar, para saber como era, porque sim.

sábado, julho 26, 2003

POPPER: "A religião cristã exige de nós uma pureza de comportamento e de pensamento que só pode ser totalmente alcançada pelos santos. Daí que se tenham malogrado sempre as inúmeras tentativas de edificação de uma ordem social inteiramente animada pelo espírito do Cristianismo. Conduziram sempre, e necessariamente, à intolerância e ao fanatismo. Podem testemunhá-lo não só Roma e Espanha, mas também Genebra e Zurique e numerosas experiências americanas, comunisto-cristãs. O comunismo marxista é um exemplo mais terrível de uma tentativa semelhante, a de estabelecer o paraíso na Terra. Uma experiência que nos ensina que aqueles que pretendem criar o paraíso na Terra podem facilmente criar o inferno." (Popper, em que acredita o Ocidente). Pois, fica sempre bem citar, e nunca é demais repetir este tipo de coisas. Há décadas e décadas que são repetidas, mas parece que há muitos que não as ouvem. Senhores usem cotonetes....
MICK JAGGER: Faz 60 anos hoje. Angie é uma das minhas 100 canções preferidas. Happy Birthday!!

sexta-feira, julho 25, 2003

OBSERVO ( I fall for this season every time): Brasileiros passam pela Baixa dizendo de tudo “é uma beleza”, alemãs de dois metros fazem insinuações sexuais, no café do São Jorge um tipo de laço fala em Francês para um grupo de ouvintes que responde entusiasmado dizendo coisas como “Eu penso que houve um problema na institucionalização” (whatever that is!!), na Avenida da Liberdade param turistas pousando para fotografias, no Chiado, no Marquês, no Terreiro do Paço também, nas esplanadas brilham mil copos de imperiais vazios, os braços das mulheres passeiam-se bronzeados, as costas dos homens suadas, já vi mais unhas dos pés hoje do que no resto do ano- anda tudo de sandálias, amantes abraçam-se delicadamente no calor das três da tarde no Rossio, junto ao metro descansam em tronco nu uns australianos como torres, os empregados dos cafés hoje têm os bigodes suados, um rapaz e uma rapariga conversam num banco da avenida, estão, estiveram, vão estar apaixonados, outro casal discute perto do Hard Rock café, irão acabar? dois tipos andam ao soco no metro do chiado mas é coisa rápida e com poucas consequências, a fnac está cheínha de caras conhecidas: psicanalistas, actores, políticos, “modelos”…um tipo louco passa nos Restauradores vestido com uns calções as quadrados ridículos que parecem boxers gigantes e a falar sozinho sobre “ovos moles”, nas casas algures alguém escreve para o seu blog, no autocarro uma mulher de cento e cinquenta quilo mostra as flores que lhe ofereceram lá na praça porque fazia anos…é verão, é uma tristeza estar-se triste no verão, é uma tristeza……

CINEMA E ADOLESCÊNCIA: Estão neste momento dois filmes em exibição que têm por tema a adolescência. Pela sua natureza singular intensa e à parte de tudo, a adolescência é muitas vezes muito mal retractada na arte, e, especialmente, no cinema. Felizmente não é o caso em nenhum dos filmes. “As regras da atracção” que os cínicos que frequentam os cinemas portugueses poderão pensar que é uma comédia, é uma tragédia exasperante cheia de gargalhadas. O realizador Roger Avary é o co-argumentista do Pulp Fiction e existem alguns momentos à Pulp Fiction neste filme. Mas o melhor é um retracto desapiedado cruel mas simultaneamente compreensivo e até um pouco ternurento do fim da adolescência. Os amores são excessivos, estão todos trocados e correm sempre mal. O sexo é omnipresente e omnipotente. O álcool as drogas e as festas fazem a rotina. Eu sei, parece um episódio dos riscos, mas é mesmo bom, a sério. E a cena onde se toca, de forma completa, o Faith do George Michael é bizarramente inesquecível. Momento puro de cinema será a viagem de uma personagem secundária à Europa e que é já considerada uma das cenas mais avant garde deste ano. Mas a minha cena preferida é o écran dividido quando os dois ex-futuros-amantes (não há nada mais doloroso que ex-futuros amantes, ou há????) se encontram. O segundo filme passa-se numa era cronológica prévia, enquanto nas “Regras da atracção” é dos vinte e poucos que se trata, “O Verão de Vítor Vargas” é dedicado aos teens. Mais simples, mais modesto e mais puro, acaba por ser talvez o melhor filme dos dois. O filme fala de uma família porto-riquenha de um bairro hispânico de New York. A iniciação sexual, e a iniciação ao amor (troquem a ordem se quiserem) são os temas principais, mas não os únicos. É uma visão positiva e ternurenta da adolescência, que contrasta com o filme de Avary, pessimista até ao miolo. Um comuna dir-me-ia que é porque o primeiro trata das elites ociosas e o segundo dos pobres, e que os pobres são mais felizes que os ricos…. Mas não, nada disso. São duas visões igualmente válidas desse período mágico e trágico que é a adolescência. No Verão de Vítor Vargas as personagens são reais e mais próximas, ao que não é inocente o facto de serem actores amadores e da sua vida não estar provavelmente muito longe das personagens. Nas regras da atracção são seres exagerados (embora existam algures), mas ao contrário do que muitos críticos pensaram e disseram, não penso que sejam cruéis e vampirescas, ou que o realizador as retracte dessa forma. Pelo contrário, são personagens (falo só das 3 principais) extremamente empáticas e o seu insucesso e desastres dói ao espectador ( ao que não é cínico) mesmo que se ria com a forma como ocorrem. No Verão de Vitor Vargas é tudo mais puro e sensorial, sentimos o cheiro a suor dos corpos no écran, a suavidade dos abraços juvenis trocados quase em câmara lenta. É um filme inocente até à medula sem cair nunca no cor-de-rosismo.
E aqui fica a recomendação, para quem ainda está tentar perceber o que se passou na sua adolescência, ou para quem a quer relembrar, ou apenas para quem quer ver um bom filme.

quinta-feira, julho 24, 2003

CASAMENTO, AMIZADE OU NADA DE SÉRIO: Merece um clique-é o que está escrito na minha caixa de hotmail. Fico intrigado, será que tudo o que está entre a amizade e o casamento é nada de sério??? E o casamento será sempre sério? E a amizade será sempre séria?? Clico, afinal merecia um não é, e vou parar ao hotmail paquera. Tssk tssk... E, como dizia a Tina Turner, What´s Love got to do got to do with it, whats love but a second hand emotion..... A malta do hotmail, acha que não é nada de sério.......coitados.... Deve ser aquela ideia do namoro como antecâmara do casamento, como a vida como antecâmara do céu, como o sexo como antecâmara da reprodução......Odeio antecâmaras, ou se está ou não se está. Não se deve estar para vir a estar.


Lisboa no Verão: É só andar por aí….Cruzo-me com vinte alemãs histéricas de calções pretos justos e maquilhagem à Cleopatra. Cruzo-me com um grupo de suíços com cabelos brancos e fatos de treino. Oiço um grupo de dinamarqueses a cantar no meio do Rossio. Viva o Gymnaestrada! Welcome to Lisbon. Enchem os nossos cafés, deixam os vendedores de haxixe da Rua Augusta atarzanados, metem os machos que escarram de lado e se encostam às esquinas a salivar, irritam os turistas endinheirados que têm que suportar a companhia dessas matilhas em todos os sítios para onde vão, passam pela fnac, pelos museus, pelo castelo, pelas Avenidas. São 25000, que número bonito! Agora isto é só um ensaio, nem posso imaginar como será para o ano com o Euro. Sempre achei que o Euro era um desperdício de dinheiro, mas tudo tem o seu lado positivo. Uma vez que o mal já está feito aproveitemos. E aproveitemos a companhia de 25000 estrangeiros a descobrir Lisboa. Até se cheira o seu entusiasmo, anda pelas ruas, o odor da sua admiração cruza todas as esquinas. Ena ena ena. Viva! Bienvenu………Welcome…….E se voltarem em breve poderão jogar num casino! Haha….pois…..

Estive cá, existo, pois, existo. Um dia destes volto a dizer coisas banais e relativamente interessantes para fazer alguém sorrir, sem ser demasiado sério, sem ser demasiado intelectualizado, sem ser demasiado quotidiano. Ou talvez não. Talvez volte a falar de mijas. Talvez faça um comentário irónico sobre o dia-a-dia urbano. Talvez faça uma reflexão sobre os blogs. Talvez fale bem de Bach e Cohen. Talvez cite clausewitz. Talvez cite borges e calvino. Talvez responda a mails que me escreveram. Talvez comente os comentadores. Talvez faça uma teoria do sexo oral`à la pipi. Talvez......não.

terça-feira, julho 22, 2003

UM DIA DIFERENTE: “I am tired, I am weary, I could sleep for a thousand years” ( Venus in Furs- Velvet Underground) Estou cansado, sim, muito. Nem devia ter cá vindo, mas já afirmei que é daquelas coisas que tenho que fazer, que faço de mim para mim, embora seja público. As coisas, a vida, as pessoas o tempo surpreendem-nos. A única certeza que se deve ter é que não há certezas. Todos os dias a nossa vida pode mudar radicalmente. É o mundo, todas as horas pessoas morrem, vivem, nascem, apaixonam-se, desapaixonam-se, traem-se, amam-se, perdoam, não perdoam, confessam, perdem-se e encontram-se. Pode tudo mudar numa questão de horas, pode o cosmos congeminar planos diabólicos qual deus do antigo testamento. Há sempre verdades que nos escapam e que podem ser reveladas a qualquer momento. Há dias assim, intermináveis, dias que parecem vidas inteiras. Mas, por mais dias assim, mais motivos para afirmar de novo o meu optimismo. Para vir mais uma vez aqui dizer para mim e para quem por acaso por aqui passar: que estou vivo, que acredito, que sim, as coisas melhoram com o tempo, que sim, é preciso nunca desistir, perseverar, persistir. Sempre dentro do real claro, tendo consciência das impossibilidades (e o amor está cheínho delas), das dificuldades. Sempre percebendo a dimensão das coisas, o esforço requirido e a nossa vontade. Mas se aprendemos qualquer coisa, se calhar muito, mesmo no mais caótico e cansativo dos dias, é porque a vida vale sempre a pena. É preciso treinar a alma para a esperança. Se eu porventura tiver filhos, seria talvez a única verdadeira aprendizagem que lhes quereria proporcionar; a de ter sempre esperança, de acreditarem em si mesmos, de acreditarem na capacidade humana de nunca desistir, de nos levantarmos sempre que caímos, de reconstruir as casas que as catástrofes destruíram ….. E, muito importante, dizer que vivam a vida para eles e por eles. Sim, muitos dirão que serei um péssimo educador, que a minha moral é egoísta e narcisica e blá blá pois, que se fodam, hoje não estou para meias tintas ou eufemismos. Vim aqui, estou vivo, espero continuar assim. A vida, apesar de tudo, é uma vida boa. Sou um optimista. Nunca nunca deixarei de sorrir.

segunda-feira, julho 21, 2003

Todos os dias há coisas para fazer: a cama, a barba, o 7 às 9, o amor, conversa, o jantar…. Algumas destas coisas fazem-se automaticamente, algumas com prazer, algumas fazem-se como se fosse a primeira vez, outras como a 19000ª vez. Por vezes certas coisas tornam-se difíceis, extremamente difíceis. Falta vontade, falta desejo, falta vida …e é por isso que se tornam tão importantes, porque fazê-las transforma-se em muito mais do que o acto, transforma-se numa afirmação: que eu sou eu e existo. Hoje é assim, em relação ao blog; não tinha uma gota de mija sequer para partilhar por mais tempo que ficasse em pé a olhar para os azulejos. Mas mesmo assim vim cá, dizer que sim, estou vivo, existo, falo, como, durmo, amo, olho, observo, sinto……. E, por mais que o que eu escreva neste blog não interesse um caralho a seja quem for (perdoem a linguagem à pipi, mas também não estão à espera de eufemismos num blog chamado o urinol??) vou continuar a escrever seja o que for, com a maior frequência possível, porque se tornou num desses gestos. Como fazer a barba, como almoçar, como dizer mal das coisas, como mijar…… E …sim, continuo optimista, cada vez mais.

domingo, julho 20, 2003

À ESPERA: Há períodos de pausa. Há alturas em que nada acontece, porque nada pode acontecer, porque se está à espera: num banco de uma estação, debaixo duma janela, à beira dum telefone, na cama, nas avenidas, nos cafés, na igreja, na biblioteca, dentro de nós, fora de nós, rodeados de amigos, afogados numa canção, presos na teia de um poema, a mijar serenos e calmos. E sentimo-nos como o clichet dos filmes onde voam as folhas do calendário para indicar a passagem do tempo. À espera do quê? De uma carta, de uma visita, de uma morte, de um nascimento, de um sms, de um e-mail, de uma cabeça de cavalo na cama, de uma voz interna, de uma voz externa, de um amor impossível, de um amor possível, de um regresso, de uma partida, de que uma ferida se cicatrize, de que uma ferida se abra, de uma vitória inesperada, de uma derrota absurda, de um reset, de um replay, dum filme novo, dum amigo velho, de lágrimas frescas, de pele quente, de uma refeição completa, de ti, de mim…… à espera, sim à espera, sentados ou em pé, com a gabardine vestida ou de calções, à chuva, debaixo do terraço, ao vento, andando, imóveis, roendo as unhas, roendo a alma, à espera à espera à espera… Contando grãos de areia na ampulheta, achando a cada segundo que o relógio se avariou, percorrendo toda a memória a cada compasso cardíaco. À espera, e não é de Godot, de que o Sporting ou o Benfica sejam campeões..à espera talvez de um emprego, de um pedido de casamento, de uma nota de suicídio, de um Adeus Português, de que o criado nos atenda, de que deus nos oiça, de que os pais/ o marido/ a mulher não cheguem a casa entretanto, de algum post num blog, duma carta numa árvore, duma mensagem escrita a sangue num papel ou escrita com tinta na pele, à espera, à espera, à espera. Esperando também se vive, e muitas vezes vive-se esperando. Por isso espero…..e espero que sim, CLARO! Mesmo quando sei que não. Porque um optimista, e sou um optimista, nunca é demais repeti-lo, nunca é totalmente derrotado, e nunca deixa totalmente de esperar. Por isso esperemos. A vida continua dentro de momentos.

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